domingo, 21 de março de 2010

Pessoas da minha Terra - Jorge Bento

Tive a oportunidade de à uma data de anos (mais de 10) fazer um trabalho sobre Leça da Palmeira com 2 amigos. Um deles (não me recordo qual) lembrou-se de encetar contacto com o escritor de Leça e perpetuador da sua memória, o Senhor Jorge Bento.


                                                        Jorge Bento (1915 - 2004)

De trato fácil recebeu os 3 jovens que ali se apresentaram com uma simpatia imensa, mostrando ficar satisfeito pelos temas da história de Leça serem alvo de interesse. Não aceitou gravar a entrevista.. pois não dava entrevistas, tinha conversas. E teve todo o tempo do mundo para nos falar de mil e uma histórias e a conversa fluiu como as cerejas, sempre muito afável e mostrando fotografias antigas e livros para ilustrar as suas histórias.

Logo ali avisei que o escritor devia ter direito a nome de rua. Agora já acontece, na Rua nova em frente ao contentor da PSP, ligando a Rua Nogueiro Pinto à Av. dos Combatentes da Grande Guerra fica a Rua Jorge Bento. Um nome muito bem escolhido.




                                         (vista aérea e foto de Rua Jorge Bento)


Desde a história da imagem de Nossa Senhora da Conceição, em 1983, até ao "Chilro, após a Muda", em 2004, foram 29 livros que marcam o conhecimento da nossa Leça da Palmeira.

Foi o autor do Hino do Leça FC, Fundou a “Capela de S. Miguel”, grupo coral polifónico, foi ensaiador do Rancho da Amorosa, foi redactor da "Voz de Leça", geriu  a sala de cinema do Salão Paroquial... acabou galardoado com a Medalha de Prata de Cidadão Honorário de Leça da Palmeira, com a Medalha de Ouro de Mérito dos Bombeiros Voluntários de Matosinhos – Leça e com a Medalha de Honra do Fórum Matosinhense.





Deixo registo sobre a sua obra, retirada do site http://www.leca-palmeira.com/ que indica a fonte: Engenheiro Fernando Rocha dos Santos, In a Voz de Leça.

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"Jorge Armando Oliveira dos Santos Bento, nasceu nesta sua amada Leça da Palmeira, na antiga Rua 5 de Outubro em 11 de Setembro de 1915, e onde podemos considerar que viveu toda a sua vida. Casou com D. Palmira, em Setembro de 1941 e tiveram quatro filhos: a Cecília, o Miguel, o Manuel e o António, vivendo na Rua Direita numa casa que, como dizia "era a única da rua que tinha apenas uma porta e uma janela".


Esta casinha corresponde à descrição que Antero de Figueiredo faz das casas de Leça da Palmeira no seu livro "Jornadas em Portugal" e onde diz "Esta gente prática e elegante, foi-se às velhas casas, baixas, de miúdas janelas e caiaram-nas muito bem caiadas, como a Ripolin; pintaram-lhes a branco os caixilhos,
de vermelho os beirais puseram "brises-bises" de rendas nas vidraças, cortinados de cambraia com folhos, de lavar por detrás das sacadas, e persianas verdes nas janelas".



Esta casinha corresponde à descrição que Antero de Figueiredo faz das casas de Leça da Palmeira no seu livro "Jornadas em Portugal" e onde diz "Esta gente prática e elegante, foi-se às velhas casas, baixas, de miúdas janelas e caiaram-nas muito bem caiadas, como a Ripolin; pintaram-lhes a branco os caixilhos, de vermelho os beirais puseram "brises-bises" de rendas nas vidraças, cortinados de cambraia com folhos, de lavar por detrás das sacadas, e persianas verdes nas janelas".
Fez os primeiros estudos na desaparecida escola Pinto de Araújo e após ter aperfeiçoado o Português e o Francês no colégio da D. Cassildinha, Jorge Bento cedo começou uma intensa vida intelectual sempre com a sua Leça no coração.


Foi funcionário da Agência de Navegação e Comércio, durante quarenta e três anos, até por opção ter imigrado para Moçambique em 1973, onde trabalhou, em Nacala, num despachante até 1976. Foi com a divulgação de múltiplos aspectos culturais que preencheu a sua vida dando a conhecer através de uma imensa e rica bibliografia, tudo quanto é possível saber do acervo histórico, etnológico e musicólogo de Leça da Palmeira e de Matosinhos.


                                                        (ultimo livro de Jorge Bento)


Em 1931, com a ajuda de familiares e amigos funda o grupo coral polifónico Capela de S. Miguel, com o qual percorre todo o país; sendo deveras interessante e edificante a origem deste agrupamento coral.


Jorge Bento e António Jorge Bento, eram dois rapazes que tinham o pai para o Brasil e, no intervalo dos estudos, gostavam de auxiliar a mãe nos trabalhos de casa. Os dois irmãos ajudavam à missa e a outras cerimónias, na Igreja Paroquial; e, como tinham excelente memória auditiva, chegados a casa e entregues ao trabalho, repetiam os cânticos ouvidos no templo, encarregando-se cada qual da sua parte, quando o trecho era a duas vozes. A mãe rejubilava com tamanhas qualidades dos filhos! O avô paterno, que ajudara a reorganizar a Confraria dos Passos do Senhor, esteve (em 1933) retido em casa com prolongada e grave enfermidade, e manifestou aos netos o desejo de ver desfilar, junto da sua porta, a sua querida Procissão dos Passos, que naquele ano não sairia por dificuldades financeiras.



Conhecedores deste desejo, Jorge Bento e António foram pedir a um tio, juiz da dita confraria, naquele ano, para que fizesse sair a procissão, pois eles com mais primos e alguns amigos, cantariam o "Miserere" e os cânticos próprios do momento, evitando assim essa despesa. Resolvidas algumas outras dificuldades naturais, assim se fez. E, no sábado, 1 de Abril de 1933, aquele punhado de rapazes cantava e encantava na Igreja Paroquial, nos exercícios preparatórios para a procissão do dia seguinte. Justifica-se desta forma a alegria e satisfação com que Jorge Bento dizia que o seu grupo coral nasceu das Chagas de Jesus e das Lágrimas de Maria. Porém, este agrupamento fora inicialmente de carácter ocasional, pois satisfeito o desejo do avô deveria normalmente dispersar. Mas não! Nessa altura aparece o sacerdote, P.de Manuel Francisco Grilo, que insiste com Jorge Bento para que o grupo continue e, com os seus primos cantores, restaure a Confraria de S. Miguel, padroeiro da freguesia e se realize a sua festa, que tinha desaparecido havia cerca de um século. Jorge Bento deixou-se persuadir e meteu mãos à obra, surgindo a confraria e com ela a festa. É pois, natural que um grupo tão eminentemente ligado a esses factos viesse a chamar-se "Capela de S. Miguel".






Jorge Bento era olhado pelos seus cantores como um pai ou um irmão mais velho, pois não sendo fácil concitar em seu favor a simpatia, a confiança e a aquiescência de 25 a 30 homens e rapazes, recolhia a sua confiança e respeito, tanto mais que os cantores não recebiam qualquer gratificação pecuniária. Dirigiu também o Coro de Santo António na Capela de Ruas. E, até em Nacala fundou um grupo coral que com grande mágoa abandonou quando resolveu regressar à metrópole. Por curiosidade juntamos neste trabalho uma relação dos elementos que fizeram parte da "Capela de São Miguel de Leça da Palmeira" durante a sua existência.






Em 1935 é convidado para ensaiar o actual Rancho Típico da Amorosa, função que mantém até 1940.


Nas várias composições musicais não podemos deixar de referir o Hino do Leça F.C.. Além do canto, Jorge Bento foi uma espécie de assessor do pároco, de uma dedicação enorme à paróquia, onde foi um exímio colaborador nas obras da igreja, nomeadamente das casas dos pobres de Gonçalves e de Rodão, do Salão Paroquial e nas iniciativas pastorais. Foi o grande "empresário" do cinema paroquial sendo o responsável pela primeira sessão de cinema na localidade gerindo durante muitos anos a respectiva sala.





(Jorge Bento e esposa Marta Bento)


Foi fundador e redactor de "A Voz de Leça" e até o autor do título que encabeça o jornal.


Deixou também o cunho do seu talento artístico na cenografia das memoráveis noites do Clube de Leça, no Teatro Constantino Nery, na Salão Paroquial de Leça da Palmeira e na Associação Recreativa Aurora da Liberdade. Legou à Paróquia uma obra riquíssima em cenários de teatro, os quais infelizmente se deterioraram no sotão do Salão Paroquial. Ainda na área da pintura devemos referir uma outra faceta do seu génio multifacetado referindo a sua paixão pela iluminura que pode ser apreciada no Livro de Ouro da Sociedade Humanitária de Matosinhos - Leça e no Livro de Honra do Lions Clube de Leça da Palmeira, e simultaneamente pintou vários quadros a guache ou a nanquim, bem como muitas outras iluminuras.






Também em Moçambique no campo da pintura deixou a sua marca num quadro representando Samora Machel com as dimensões de 7,5 x 5,5 metros, para as comemorações da independência. Escreveu vários artigos na "A Voz de Leça" e foi um artigo publicado neste jornal relativo à imagem com cinco séculos que está na Igreja Matriz, como sendo a Senhora do Leite, quando ele tinha a certeza que a mesma se tratava de Nossa Senhora da Conceição, que o leva a investigar em documentos e a reunir os elementos necessários para provar a sua tese. Nasceu assim o primeiro livro, "História da Imagem da Senhora da Conceição" (1983) e nunca mais parou.


Os seus livros são de imprescindível consulta para o conhecimento de Leça da Palmeira de hoje e de ontem, constituindo sem qualquer exagero a "Bíblia de Leça da Palmeira".






De facto desde a "História da Imagem da Senhora da Conceição" em 1983 até ao "Chilro Após a Muda" em 2004 foram vinte e nove livros escritos num estilo fluente de características singulares e muito próprias, no bom e já saudoso português de outro tempo, onde encontrámos uma enorme diversidade de temas, abordando factos e figuras ilustres que fizeram parte da história da nossa terra, muitas delas felizmente ainda entre nós. Os seus livros marcam a historiografia matosinhense, assumindo-se como o mais extenso, profundo e acabado estudo monográfico sobre uma freguesia do concelho. Apetece-nos perguntar, que terra de Portugal tem ou teve um filho que tantos livros escreveu sobre ela? O nome de Jorge Bento alcançou já uma notoriedade neste campo que permite torná-lo numa referência obrigatória, como o de um Guilherme Felgueiras ou a de um Joaquim Neves dos Santos. E porque na minha opinião a qualidade de vida de uma população passa necessariamente pela sua identificação com uma memória e património colectivos, bem assim como pela sua divulgação e salvaguarda, actualmente a promoção da qualidade de vida em Leça da Palmeira passa forçosamente por Jorge Bento. Ele que era a modéstia em pessoa com toda a sua obra nas mais variadas vertentes revelou um talento nato, e foi-lhe assim retirado o anonimato, pois os seus livros, alguns com edições já esgotadas, chegaram a vários pontos do País, como por exemplo o "Cancioneiro de Leça" (1985) muito procurado pelos estudiosos.


Biografias como as dos livros "O mais Sublime Leceiro" (1994) dedicado ao Dr. José Domingues de Oliveira ou "Ecos Duma Vida" (1997) sobre o P.dre Alcino Vieira marcam a sua escrita, não esquecendo todos os outros registos de usos, costumes e tradições, que relembramos ao percorrer a sua obra são de um valor incalculável e onde ficam referenciadas as histórias como a da Igreja de Leça, as suas Capelas, a construção do Salão Paroquial, o Convento da Quinta da Conceição e muitas outras referências.






Em 7 de Novembro de 1992 foi galardoado com a Medalha de Prata de Cidadão Honorário da freguesia de Leça da Palmeira e com a Medalha de Ouro de Mérito dos Bombeiros Voluntários de Matosinhos - Leça; e a 6 de Dezembro de 1992 foi-lhe concedida a Medalha de Honra do Forum Matosinhense. Este homem de rara sensibilidade artística, profundo investigador, inexcedível na delicadeza de trato, granjeou a estima de todos quantos, com ele, alguma vez tiveram o privilégio de privar; porém, a morte veio interromper o "Índice Remissivo de Toda a Obra", que estava a elaborar com o cuidado que lhe era peculiar.






Jorge Bento, sendo uma alma grande e bela, sabia ser humilde como o são todos os que têm e praticam verdadeiramente os valores humanos, intelectuais e morais, e embora não fosse subestimado, não terá tido talvez o reconhecimento que merecia; pois não era visto como um escritor, um músico ou um pintor. Muitos eram os que acreditavam conhecerem-no bem, mas nem todos o leram ou viram as suas intervenções no domínio das Artes Plásticas. Jorge Bento, livre da influência cultural dos modernismos, acenava-nos com a alternativa da sua personalidade, contrapondo a essas mesmas influências a autenticidade da tradição colocando-a útil e sabiamente ao serviço das suas gentes, ou seja da sua querida Leça da Palmeira.






O longo percurso da sua vida, 89 anos, revelou uma evolução que diferencia os mais dotados. Com a sua capacidade natural Jorge Bento tornou a vida num espectáculo de valores da arte: a Literatura, a Música e a Pintura, conferindo a todas elas uma dedicação por igual e uma entrega tão autentica que não incomoda dizer que provoca em alguns uma sensação de desconforto e em muitos até uma ponta de inveja, pela diversidade dos seus talentos.A sua entrega à cultura tem o efeito ilusionstico de um cenário.


Em Jorge Bento o que se situava ao fundo do "palco da vida" era uma aparente ilusão. A sua modéstia ocultava o verdadeiro valor que em si encerrava tornando-o pólo gerador de uma criatividade que só nos cabe agradecer.


Foi assim, com grande tristeza, que no dia 18 de Outubro de 2004 recebemos a noticia que JORGE BENTO havia sido chamado por Deus. Tinha falecido o "Guardião da Memória Leceira". Por tudo quanto aqui fica dito esperamos que esteja no lugar a que tem direito, junto ao Senhor.
"



"Guardião da Memória Leceira"

5 comentários:

  1. Foi um momento de história pura com as palavras do "mestre" Jorge Bento. O 12º ano na disciplina de Português valeu pela conversa tido com esse vulto da memória leceira.

    Abraço,
    Miguel

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  2. Tendo em minha posse toda a obra literária de Jorge Bento, quero agradecer desde já ao autor deste blogue a publicação deste texto...uma mais valia...um tesouro importante da nossa terra.
    Um bem haja pelo seu testemunho pelo amor que tem á minha terra...Leça da Palmeira.

    Saudações Marítimas
    José Modesto

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  3. Ter toda a obra literária de Jorge Bento é algo de fantástico.. isto porque ela não é fácil de encontrar, edições pequenas, não se pode dizer que sejam também baratas..

    Digo que é fantástico porque nem a Biblioteca Municipal de Matosinhos tem tal espólio.

    Espero que mais que os meus textos, a obra de Jorge Bento continue a ser divulgada, pois infelizmente não tem ainda a relevância que merece!

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    No refrão, a sério!

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